sexta-feira, 15 de abril de 2011

Breve Exercício: De tudo nada, tudo criando nada.


“O homem arrasta-se pelo soalho, a escorrer sangue pela mão direita.” Apenas a mão direita. Faltam-se grandes pedaços de carne. O sangue faz uma pequena poça. Não deve viver muito este velho. Os olhos reviram. Diz ver uma luz. “Luz! Luz!”. Cai, redondo, velho, desgastado. A cabeça fica dentro da poça. Ele não consegue mexer-se, mas respira. Bolhas chegam à superfície. Dois momentos se seguem: o homem levanta ligeiramente a cabeça e ouve-se um tiro. Da porta, outrora encostada, está um menino. Um daqueles meninos pobres, com pouca roupa e a cara suja de mundo. Foi ele que disparou, a arma está na sua mão.
Isto é História: foi assim que o homem Arte morreu.

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