sábado, 30 de abril de 2011

Nunca quis ser


Nas criações do homem pouco humano
nada fica para a história.
Tudo permanece no permanente
espaço do nada,
do pouco significante.

Nas criações do indivíduo
a esperteza e o ridículo
se constroem e se magnificam
como basilares naquele
que quer ser.

A história
não nos diz
o que fazer,
apenas nos diz
o que já foi feito.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Breve Exercício: De tudo nada, tudo criando nada.


“O homem arrasta-se pelo soalho, a escorrer sangue pela mão direita.” Apenas a mão direita. Faltam-se grandes pedaços de carne. O sangue faz uma pequena poça. Não deve viver muito este velho. Os olhos reviram. Diz ver uma luz. “Luz! Luz!”. Cai, redondo, velho, desgastado. A cabeça fica dentro da poça. Ele não consegue mexer-se, mas respira. Bolhas chegam à superfície. Dois momentos se seguem: o homem levanta ligeiramente a cabeça e ouve-se um tiro. Da porta, outrora encostada, está um menino. Um daqueles meninos pobres, com pouca roupa e a cara suja de mundo. Foi ele que disparou, a arma está na sua mão.
Isto é História: foi assim que o homem Arte morreu.

sábado, 2 de abril de 2011

O novo (a mente)


Na história do novo mundo
o real desaparece.
novamente acredito-te vida,
mas odeio-te.
Sim, sempre te odiei
sempre te odiarei.

Novamente realizo
novamente estou,
aqui,
perdido
na forma em que quero ser perdido.
perdição,
realismo,
ilusão,
medo,
conquista,
fode-te,
desbrava-te,
fuma,
vive-te.

Enfim,
é o teu novo antigo existir.