O mocho agita o seu olhar
reflexo do candeeiro
que ora se esconde
ora se encanta
no mar de carvalhos densos
de outros tempos.
Um casal
encontra-se absorvido
no banco castanho
do denso jardim.
Falam de tudo
e não sabe a nada.
Eles agarram as mãos
tentam ficar, tentam sorrir.
Esforçam-se para lembrar
de tudo para que lutaram:
o tempo de chegada tão devagar
o tempo de ida tão depressa.
Ele ajoelha-se e pede-a em casamento.
Ela sorri,
diz para ele parar de ser idiota
e para se levantar.
Ele levanta-se
volta a sentar-se no banco do jardim
e voltam a dar as mãos.
Sorriem.
O mocho está absorvido
nas cores da luz do seu reflexo
e os carvalhos
apesar de parecerem derrotados
estão parados no tempo
e, por isso, sobrevivem.
Está brilhante a luz da lua esta noite,
diz ela a ele.
E olham para cima
para um astro
luz-reflexo de outro astro.