quinta-feira, 16 de junho de 2011

Uma única tempestade




Veste a mão
abraça-me contigo.
velhos seios descaídos
apertam-se contra o meu corpo.
Ainda és tão nova.

Há barulhos.
Um carro,
dois,
três,
buzinas,
pessoas a falar,
a gritar umas com as outras,
a guinchar.
Uma tempestade,
tudo passa a esta volta.
É um mundo.
Um furacão.
Papéis levantam-se.
Agarramos com mais força
eu
teu corpo despido de vida, fragilizado
tu
meu corpo fortalecido quando estás perto
só quando estás perto
Tudo se levanta
os cabelos parecem voar
pedem para fugir do crânio.
Nós deixamos
nós deixamos tudo
estamos juntos,
unidos
existência única
simbiose
neurose
imperfeição.
iguais
parecidos
representação.

Já fora de nós
a perder-me nos papéis
a uma lágrima imaginária no canto deste olho:
«Adeus
a tempestade era só para mim.»

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sim, Hoje, Amanhã, Sim, Sempre



As almas que não existem
e eu gostava que existissem.
As almas.
Aquelas coisas não materiais e,
que nós não as controlamos, e que
é impossível controlar.
O controlo absoluto humano é impossível.

Vivendo hoje eu sonho,
E o sonho é o sonho,
mais nada.
Nada sempre acompanha
Sempre acompanhou.

Ela quis. Ela quer. Putas.
Sempre as putas.
Não são 5 minutos, são uma vida.
A vida hoje descomeça.
descomeça sempre.
Sempre, hoje, sempre,
Palavras repetidas.
Na repetição das vivências
hoje, sempre, amanhã.
Amanhã vai haver um amanhã diferente.
Sim.
Porque eu quero, posso e
Sim,
eu na última instância mando em mim mesmo.
Ponto final.
Acabou por hoje aquilo que amanhã
e depois desejo dizer.

Podia fumar, mas não quero.
Hoje, amanhã, sempre.

sábado, 4 de junho de 2011

não irmandade


Nós,
pessoas que olhamos
mas recusamos ver.
Métodos comparados,
Culturas, Crenças, Géneros, Sexualidade,
Tudo na não irmandade.
Desvio o olhar,
fecho os minúsculos olhos.
Deambulo por entre substâncias ilícitas.
Magnânimos pensamentos,
Utopias,
Cruéis quimeras.
Destruidoras fantasias de construção própria.
Estar no limbo para o nosso sempre.
Impossível.
Limbo destruído.
Fome, Miséria, Poder, Dinheiro, Corrupção, Teias de Aranha.
Metros valorizados,
Glórias pré-destinadas.
Misérias também.
Posso lutar.
Nem quero.
Ainda posso?
Talvez,
mas não estou muito para aí virado.
Hoje vejo a TV.