quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Vidas



Vidas
por terem sido vistas todas as noites
A boémia
a fartura
a gordura
que se acumula
por entre os pútridos
buracos outrora vazios de existência
agora vazios de moral
Gritos de loucura de uma mulher,
não é do prazer de lhe tocarem no ponto dentro da vagina

O palhaço que se cria bebendo
o que lhe flui nas veias
E a música
os tambores
os sopranos
os gritos interiores de um elefante
que viveu o mais bonito espectáculo
perfurando buracos num filme
de fraca qualidade
assim como a minha voz e os meus olhos
é o pó
a putrefacção condizente ao meio
e às gentes que o habitam e também procuram viver
e encontrarem prazeres
Como?
Eu já vi de tudo
são os fetiches
as cordas, os esófagos
as barrigas cheias do líquido
que nós
 – as pessoas da religião –
atribuímos ao milagre
que nunca acontece.

Longe do cão vadio
que se aproveita dos restos da menina
que entrou aos quinze para o mundo do bordel
Destes calores, fumos, cheiros a carne podre e a dinheiro
Eu estou longe, penso que estou longe.
O pesadelo e o prazer dos animais estão tão perto
quanto longe estão os verdadeiros milagres,
Quem são eles? De onde vêm?
Eles já chegaram aos séculos
desde sempre existiram
e existem
são feitos dos amores perdidos dos Homens
e de todas as outras criações
Carnificina moderna
parece o desvio disto tudo.
A essência é a tudo igual.

E depois chega o médico
com as suas manias e seringas
vem filosofar-nos
a mente de farmacologia,
e das drogas todas que já temos dentro do corpo
e da cabeça e do coração
É construído
aquilo que é o homem moderno bem sucedido
onde o sucesso não leva a meios
onde todas cospem para os lados.

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