ando, resta-me estar parado
parece impossível viver. este viver.
sonho
um olhar de estranheza
de uma mulher como outra qualquer.
Sonhei que tudo isto era possível
o frio, o sono, a libertação,
os voos das aves sempre acordadas
as displicentes traduções da vida
o nevoeiro.
Ah, o nevoeiro sempre frio
húmido
Amante daquilo que posso amar
E o amor pode ser tudo. O ódio também.
Os frios, os olhares de pessoas com medo,
as formigas, o cheiro a mijo nesta parede
nesta fome podre de anseios
e insatisfação.
É tudo impossível,
é tudo, tudo
e tudo pode ser mais miserável
como esta árvore verde
vestida no deserto da cidade numa noite de verão.
e os sons, a falta deles
consomem
deixam o ser humano
num estado transitório
entre a morte e o clímax total.
São cinco e tal da manhã, poderia ter
estes momentos para todo o sempre.
Os terei.
Tenho medo de não apanhar o autocarro
e ver este momento perder-se pela luz,
pelas pessoas a passar.
Um arrepio
Algo me consome
pela perna direita. E sobe.
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