domingo, 31 de julho de 2011

as displicentes traduções da vida


ando, resta-me estar parado
parece impossível viver. este viver.
sonho
um olhar de estranheza
de uma mulher como outra qualquer.
Sonhei que tudo isto era possível
o frio, o sono, a libertação,
os voos das aves sempre acordadas
as displicentes traduções da vida
o nevoeiro.
Ah, o nevoeiro sempre frio
húmido
Amante daquilo que posso amar
E o amor pode ser tudo. O ódio também.
Os frios, os olhares de pessoas com medo,
as formigas, o cheiro a mijo nesta parede
nesta fome podre de anseios
e insatisfação.

É tudo impossível,
é tudo, tudo
e tudo pode ser mais miserável
como esta árvore verde
vestida no deserto da cidade numa noite de verão.
e os sons, a falta deles
consomem
deixam o ser humano
num estado transitório
entre a morte e o clímax total.
São cinco e tal da manhã, poderia ter
estes momentos para todo o sempre.
Os terei.
Tenho medo de não apanhar o autocarro
e ver este momento perder-se pela luz,
pelas pessoas a passar.

Um arrepio
Algo me consome
pela perna direita. E sobe.

domingo, 24 de julho de 2011

Três horas

Nessas três horas
eu toquei-te, beijei-te,
abracei o teu corpo
tu o meu. Senti-te.
Sentiste-me.

Nessas três horas
o espaço, o tempo
foram longos. Curtos.

E nessas três horas eu vivi.
Depois,
acordei
e tudo estava como sempre.

Havia uma diferença,
havia uma lágrima.

sábado, 2 de julho de 2011

(É isto alguém despreocupado)


Cá estão elas,
as luzes.
Cometas que aparecem e desaparecem
sem sequer serem vistos.

São as luzes, são as mesmas.
Aquela boca
finamente recortada
algo belo, chega-me.
Já vi
já tinha visto
desgastado de ver.