Veste a mão
abraça-me contigo.
velhos seios descaídos
apertam-se contra o meu corpo.
Ainda és tão nova.
Há barulhos.
Um carro,
dois,
três,
buzinas,
pessoas a falar,
a gritar umas com as outras,
a guinchar.
Uma tempestade,
tudo passa a esta volta.
É um mundo.
Um furacão.
Papéis levantam-se.
Agarramos com mais força
eu
teu corpo despido de vida, fragilizado
tu
meu corpo fortalecido quando estás perto
só quando estás perto
Tudo se levanta
os cabelos parecem voar
pedem para fugir do crânio.
Nós deixamos
nós deixamos tudo
estamos juntos,
unidos
existência única
simbiose
neurose
imperfeição.
iguais
parecidos
representação.
Já fora de nós
a perder-me nos papéis
a uma lágrima imaginária no canto deste olho:
«Adeus
a tempestade era só para mim.»
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